Foi realizado nessa quinta-feira, com muito pesar pela sociedade e principalmente pelos familiares, o enterro da arquiteta Jamile de Castro nascimento. Hoje foi Jamile, quem será semana que vem? Até quando testemunharemos calados e impassíveis tantas atrocidades, tantas vidas inocentes sendo ceifadas e por tão pouco? A culpa é de quem?
Criança que morre após ser arrastada durante quilômetros, jovens que morrem com tiro no rosto por causa de um aparelho celular, adolescentes que perdem a vida por usarem um par de tênis bonito. E ainda há as balas perdidas… (pelo menos até encontrarem abrigo no corpo de alguém). Não há um único culpado. Todos têm culpa. Toda sociedade atônita com tanta violência tem sua parcela de responsabilidade.
Apontamos o dedo indignado para um governo corrupto, que mais se preocupa com o próprio umbigo ao invés de resolver os problemas do nosso país na tentativa de dar um rosto ao culpado por tanta tristeza e vergonha. Milhões de reais desviados para os bolsos de políticos e que deveriam der destinados à saúde, à educação, ao combate à fome. Mas quem botou esses governantes no poder?
E quando damos as costas e tratamos com indiferença os pobres, miseráveis, que habitam os morros e favelas brasileiras, que não tiveram uma oportunidade de tentar algo melhor. Quando ignoramos meninos nos sinais, homens que ocupam cargos não bem quistos à classe média, á burguesia, o que estamos fazendo se não assumindo o posto de culpados por não fazermos nossa parte?
Jadson José dos Santos, o porteiro, é culpado pela morte estúpida da arquiteta Jamile. Os fatos que resultaram nesse assassinato, não sabemos. A verdadeira causa, não sabemos. Na confissão assinada pelo criminoso aponta roubo. Mas quem é o culpado da má formação do porteiro? Quantos “Jadsons” precisaremos vivenciar para que alguma coisa seja feita? Alguma medida séria, com o engajamento e a conscientização de toda sociedade, mobilizada para realmente mudar o status quo? Quero ter orgulho do meu povo, do meu País, do Brasil, que eu ouvia quando criança dizerem que seria o país do futuro.